Sem escusas, estamos sozinhos, e condenados a liberdade.
A matéria desperta discursos apaixonados, e depois de concretizar minha leitura recente do mago pragmático John Allen Paulos(sendo mais exato, da sua última obra, na qual trata de mercado financeiro, entitulada A Mathematician Plays the Stock Market), não aceito mais imiscuir-me em tal perda de tempo.
Tem fundamento o argumento sustentado por Harold Bloom, o qual critica a obra de Sartre alegando ser mero pastiche do árduo trabalho fenomenológico de Husserl, que trabalhou a intuição eidética de modo a chegar no momento anterior as pressuposições e preconceitos sistêmicos naturais da mente humana. Tal ferramenta intelectual permaneceu intocada durante o trabalho de Sartre, e foi adotada sem qualquer resistência, colocando seu trabalho numa categoria que representou pouco ou nada para a epistemologia.
Em todo o caso, constatamos diferenças por Husserl ater-se ao seu rigor científico que lhe cunhou o honorável título de pai-fundador da fenomenologia, e seu pupilo Sartre ir mais longe, denotando por meio de seu quase autobiográfico Roquentin, defronte as raízes do castanheiro, que havia uma náusea resultante da consciência pura, desnudando a obscenidade intrínseca da existência.
Analisando a lógica do existencialismo, qualquer caminho que tomarmos terminará num solipsismo metodológico que Sartre insistia em negar, todavia sendo evidente sua presença quando compreendemos seus textos, nos quais qualquer elemento exógeno não é discutido, sendo somente classificado como aceitação do mundo externo, partindo obviamente desse método completamente refutado de maneira até desconcertante por Bertrand Russell em sua obra prima The Problems of Philosophy, de 1912.
O vício e a fixação na idéia de administrar as liberdades de escolha dentro das liberdades do homem provocava ódio sectário entre os seguidores de Freud e Sartre, tendo em vista o postulado da psicanálise colocando como inalterável e inatingível a mente humana pelo próprio homem, algo inadmissível para os existencialistas fundamentalistas. Claramente racionalizar a existência não era a idéia, tratava-se de um engodo para a não responsabilização sobre seus atos.
Para piorar a situação, é evidente o paradoxo lógico vivido pelos existencialistas no que diz respeito a afirmação dos conceitos. Ora, como é possível articular um postulado quando este clama pela descrença axiomática?Se afirmo que não se deve confiar na assertividade, como prepararei a mensagem, sem que esta fique assertiva?
Resta-nos, então, concluir que o Existencialismo, mesmo sob uma ótica grosseira, carece de fundamentos lógicos internos e o próprio Sartre tinha consciência disso. Na fase final de sua vida, o autor se dedicou a panfletagem barata Marxista e a proferir sofismas dialéticos que não levavam a lugar algum. A teoria baseada na subjetividade pura conseguiu ficar ainda mais nua e ridicularizada com o declínio do seu expoente histórico.
sábado, 6 de junho de 2009
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